Ministério da Cultura quer classificação da Fábrica Confiança em Braga

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A Secção do Património Arquitetónico e Arqueológico do Conselho Nacional da Cultura deliberou a abertura do procedimento para a classificação da antiga Fábrica Confiança, em Braga, foi hoje anunciado.

Em comunicado enviado pelo Gabinete de Estratégia, Planeamento e Avaliação Culturais, o Ministério da Cultura acrescenta que, com a abertura deste procedimento, e até à decisão final de classificação, o imóvel “fica legalmente sujeito a vários tipos de medidas de proteção, nomeadamente no que se refere a obras e a licenciamentos”.

A Saboaria e Perfumaria Confiança, ou Fábrica Confiança, foi fundada em 1894 e até 2005 produziu sabão, sabonetes e perfumes. O edifício, diz ainda o comunicado, apresenta características representativas da arquitetura industrial oitocentista. O Conselho Nacional da Cultura é o órgão consultivo do Ministério da Cultura.

A maioria PSD/CDS/PPM na Câmara de Braga quer vender o edifício Confiança, que foi expropriado em 2012, ainda no mandato de Mesquita Machado (PS). A venda, em hasta pública, pelo preço base de 3,8 milhões de euros, já foi aprovada na Câmara e na Assembleia Municipal.

O presidente da Câmara, Ricardo Rio, justificou a venda da Confiança com a falta de “fundos próprios e europeus” para reabilitar o edifício, considerando que a conservação do legado da saboaria “pode ser feita por privados, até porque o caderno de encargos da venda é rigoroso nesse sentido”.

No entanto, um grupo de cidadãos interpôs uma providência cautelar, no Tribunal Administrativo e Fiscal de Braga, para travar a hasta pública.

A providência cautelar foi aceite e o processo de venda está, assim, suspenso. Segundo os defensores da Confiança, aquele “é o último edifício que testemunha o processo de industrialização da cidade de Braga dos finais do século XIX e inícios do século XX”.

Além da questão patrimonial, dizem que a Fábrica Confiança se situa “no local da Via XVII (estrada do período romano entre Bracara Augusta-Asturica Augusta) e numa freguesia (S. Victor) com 31 mil habitantes onde não existe qualquer equipamento cultural municipal”.

Em meados deste mês, Cláudia Sil, membro da Plataforma Salvar a Confiança, considerou à Lusa que a aceitação da providência cautelar era já “uma batalha ganha”, mas salientou que “o caminho ainda vai ser longo” para conseguir impedir que a autarquia de Braga venda a antiga fábrica de sabonetes.

A Câmara de Braga comprou o complexo da Fábrica Confiança por 3,5 milhões de euros em 2012, ainda quando a autarquia estava sob a alçada de Mesquita Machado (PS), tendo em vista a reabilitação dos edifícios e a criação de uma área museológica que preservasse a memória da indústria da cidade.

Fonte: Agência Lusa – 30 de Novembro 2018

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